O.K! Pronto! Um dia eu conto-te! Conto-te de onde venho, as estradas por onde passei… de facto não tem nada de especial. Para ti, para os outros… é uma história… só isso. Mas é uma história vivida por mim. À minha maneira…Eu conto…. Do porquê de acreditar em Et’s, de me rir de mim, de fazer rir os outros, de me pavonear para passar despercebida!
O.K! Pronto! Um dia eu conto-te. Falo-te da minha alma. Do arco-íris a preto e branco, do pote das moedas de ouro. Dos gnomos… dos pesadelos. Dos medos. Da insegurança. Da melancolia.
O.K! Pronto! Um dia eu conto-te! Falo-te dos meus pensamentos encadeados. Dos pormenores que me magoam, dos pequenos quês que observo sorrindo. De rir por nada. De chorar assim…
O.K! Pronto. Um dia eu conto-te que gosto de acordar e entrelaçar as pernas noutras pernas, e sonhar acordada. Que gosto de adormecer com as pazes feitas.
O.K! Pronto! Um dia eu conto-te como é dilacerante sentir a areia a fugir-me por d'entre os dedos.
O.K! Pronto! Um dia eu conto-te. Das minhas guerras, das minhas derrotas, das minhas vitórias… da minha cobardia… de não contar aos outros, que há dias que me apetece contar… contar… enroscada, aninhada, sem reservas, sem medo de que se riam de mim.
O.K! Pronto! Um dia eu conto-te. E descobrirás, que eu sou como sou. Que gosto de mim assim e que é por isso mesmo que não conto. Porque enroscada, aninhada e sem reservas, quem não sabe ouvir, não vai entender… e as minhas palavras serão vãs, serão mudas e eu serei despida. Numa nudez oca, vazia e só.
O.K! Pronto um dia eu conto-te…

