sem travão e com suspensões do arco da velha... não, não é um carro novo. novo só se for as dores nas cruzes que uma coisa daquelas me deixa...
-senhor doutor, tenho solução?
-se quer saber? não!!!
-o caralho, então?
-venha mais uma rodada... diz-me, quantos há dentro de ti?
-o que?
-carros, suspensões, tempos...
-(puta de jarda co gajo já leva, só pode) mas de que fala o senhor doutor?
-falo de ti!!! onde fica essa mesa? esse carro, essa estrada? onde é que te moves?
-lá fora.
-isso julgas tu... que queres que te diga mais? o euromilhões da semana que vem?
-doutor da fava, tá-me a dar um gozo desgraçado...
debaixo da pele, o que corre, o que aquece... o sangue, vivo, morto, nascido defunto de uma epiderme qualquer, que renega a cor, o calor...
-ontem ia na rua, atravessava um passeio, dei de pés com uma moeda senhor doutor... uma moeda, estranha, ali onde toda a gente olhava, e ninguem a viu
-quantos há dentro de ti mesmo?
-se soubesse não estava aqui...
-um cubo, um só cubo. Quantos lados tem?...
três, um cubo com três lados, e a moeda no bolso
-acabou o tempo, para a semana volte que tem muito que falar... e essa moeda, onde para?
-na cómoda, não saiu de lá... até já senhor doutor.